Porque não consigo ser
emocionalmente inteligente?

Ser emocionalmente inteligente é uma das competências mais valiosas para a nossa vida pessoal e profissional. No entanto, é também uma das mais difíceis de desenvolver.

Todos sabemos que é importante manter a calma, comunicar com empatia e compreender as nossas próprias emoções, mas, na prática, muitas vezes falhamos em fazê-lo. Porquê?

Em seguida, vamos explorar porque é que tantas pessoas sentem dificuldade em ser emocionalmente inteligentes, quais os fatores que bloqueiam a regulação emocional e o que podemos fazer para mudar esse padrão.

Tópicos abordados neste artigo:

O impacto das emoções nas nossas decisões

As nossas emoções estão presentes a toda a hora e, muitas vezes, não temos noção do seu real impacto.

Estudos da neurociência demonstram que 90% das decisões humanas são inicialmente emocionais. E se repararmos, por norma, decidimos em primeiro lugar de forma instintiva, automática e emocional e, só depois, vamos à procura de razões, justificações racionais que vão ao encontro dessa tomada de decisão.

Por isso, para ser emocionalmente inteligente e tomar decisões mais eficazes e equilibradas, devemos ser capazes de compreender as nossas emoções. Se não tivermos consciência de como as nossas emoções nos vão influenciar e, acima de tudo, quais os gatilhos que nos levam a ter determinadas emoções, nunca iremos conseguir geri-las da melhor forma e tirar delas os maiores benefícios, nas mais diversas situações que poderemos enfrentar.

Pessoas emocionalmente inteligentes conseguem identificar quando algo lhes desperta ansiedade, medo ou irritação e utilizam estratégias conscientes para manter o controlo emocional.

O que fazer quando o conhecimento não chega para se ser emocionalmente inteligente?

Existem pessoas dotadas de conhecimento e ferramentas incríveis, na sua área profissional, com um poder argumentativo e uma estrutura de pensamento fenomenais. No entanto, têm uma barreira de controlo emocional que os bloqueia em várias situações, como por exemplo ao falar em público, ao entrar numa discussão ou a comunicar com o próprio chefe. Porque é que isto acontece? Porque é que alguém tão seguro do seu conhecimento não consegue ser emocionalmente inteligente?

Se estivermos perante uma audiência, sabemos que as pessoas estão a fazer julgamentos sobre nós – e isto cria, automaticamente, uma pressão interna. Se estivermos perante o nosso chefe, sabemos que o que sair dessa interação pode ser determinante relativamente a consequências para o nosso trabalho. E outros tantos cenários.

Em momentos de pressão como estes, há alguma coisa em causa e existe uma consequência derivada dessa situação – e nós estamos conscientes dessas consequências e queremos que sejam o mais positivas possível (ou que, pelo menos, não tragam malefícios para nós mesmos). O problema é que a larga maioria das pessoas não entende como usar esta pressão de forma benéfica e motivadora, ao invés de prejudicial.

Ser emocionalmente inteligente ajuda-nos a transformar a pressão em motivação. Em vez de verem o stress como um inimigo, pessoas emocionalmente inteligentes olham para o stress como algo positivo e usam-no para melhorar o seu desempenho.

O papel dos exemplos no desenvolvimento emocional

A verdade é que o nosso sistema de ensino, particularmente em crianças e no nosso desenvolvimento socioemocional – algo que é fundamental -, não nos permitiu desenvolver estas características. Isto significa que, se não tivermos alguém que nos acompanhe e nos diga “É de x forma que podes conseguir regular um pouco melhor as tuas emoções”, é improvável que tenhamos essas ferramentas.

Atualmente, já é comum vermos escolas que começam a introduzir programas de educação emocional, que ensinam empatia, autoconhecimento e comunicação. Estes programas têm mostrado resultados promissores na gestão e prevenção de conflitos e no aumento do bem-estar.

Vamos também aprendendo, por exemplo, através daquilo que os nossos pais nos ensinam. No entanto, se estes, por sua vez, tiverem ferramentas não adaptativas (como evitamentos ou procrastinação), é isso mesmo que iremos tender a repetir.

A partir do momento em que conseguimos identificar que estas ferramentas até nos podem trazer prejuízo mas que, de alguma forma, nos permitem lidar com os acontecimentos de maneira a que nos sintamos relativamente bem, tendemos a perpetuá-las, mesmo que não sejam as mais adaptativas.

Qual o caminho para ser emocionalmente inteligente?

Um dos aspetos fundamentais na inteligência emocional é compreendermos as nossas emoções analisando os antecedentes, ou seja, o que nos levou a sentir uma determinada emoção.

Os antecedentes podem ser diretos (fatores de uma determinada situação em que estamos inseridos e que nos levam a sentir aquilo) ou, passando a redundância, mais anteriores (que, de alguma forma, nos condicionam a, sempre que estamos num tipo de situação, reagirmos sempre do mesmo modo). Entendermos isto é crucial para sabermos como iremos reagir no futuro.

No entanto, além de pensarmos nos antecedentes, temos também de pensar nas consequências. “O que é que esta minha reação emocional me está a fazer ter? Que resultados estou a retirar destas situações?”. Fazer esta avaliação leva tempo, requer esforço e as pessoas não estão preparadas, capazes ou, principalmente, predispostas a ter este esforço de pensar nas suas próprias emoções – e esta é a grande e principal limitação.

Ser emocionalmente inteligente implica este duplo exercício: compreender de onde vêm as emoções e como as expressamos. Quando aprendemos a avaliar o impacto das nossas reações, tanto nos outros quanto em nós próprios, tornamo-nos mais empáticos, equilibrados e eficazes na nossa comunicação.

Saiba mais sobre o tema no episódio 1 do nosso podcast “Mas afinal, o que é a Inteligência Emocional?” – veja o vídeo aqui.

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