O Cérebro e as Emoções
O ser humano tem aquilo a que podemos chamar mente racional e mente emocional. Embora gostemos de pensar que somos seres guiados pela lógica e pelo pensamento crítico, a verdade é que, muitas vezes, é a mente emocional que comanda as nossas decisões, reações e comportamentos.
Mas porque razão é que as emoções exercem tanto poder sobre nós? A resposta está na biologia do nosso cérebro!
A Organização do nosso Cérebro
Para entender a predominância da mente emocional, é fundamental compreendermos a forma como o cérebro humano está estruturado. De forma simplificada, o cérebro pode ser dividido em três camadas principais, que refletem três grandes fases de desenvolvimento: o tronco cerebral, o sistema límbico e o neocórtex (como representado na imagem abaixo).
Vejamos em maior detalhe cada uma delas.
Tronco Cerebral: O Cérebro Instintivo
O tronco cerebral é a parte mais antiga e primitiva do nosso cérebro. É ele que regula as funções vitais, automáticas e inconscientes, que garantem a nossa sobrevivência, como a respiração, os batimentos cardíacos e a coordenação motora básica.
Este é o nosso “cérebro de sobrevivência”, altamente reativo e sem qualquer mediação consciente. Quando estamos em perigo, é esta área que nos permite reagir rapidamente, sem pensar.
Sistema Límbico: O Cérebro Emocional
O sistema límbico é o centro das emoções. Quando somos dominados por uma emoção, como medo, raiva, alegria ou tristeza, é o sistema límbico que está a governar-nos nesse momento.
As emoções vieram dar aos seres primitivos a capacidade de se predisporem a uma determinada ação e começarem a realizar essa mesma ação que, anteriormente e em situações semelhantes, forneceu benefícios.
Se um humano, por exemplo, vir um urso e perceber que se trata de uma ameaça e, por conseguinte, tiver uma reação de medo, essa reação irá fazê-lo, por exemplo, fugir. Se, por sua vez, o ato de fugir o salvar da circunstância de perigo, o humano, da próxima vez que vir um urso, já irá saber que pode fugir – pois o medo vai dar-lhe essa indicação.
Tudo isto é possível graças a duas estruturas fundamentais do sistema límbico: a amígdala cerebral e o hipocampo, responsáveis pelo processamento e armazenamento de experiências emocionais.
A amígdala dá o significado emocional às situações, às experiências, aos acontecimentos. É ela que diz “Olha, o urso é perigoso!” e, quando é afetada (através de lesões severas, traumatismos), acabamos por não ter a capacidade de processar ou aprender tudo o que tenha a ver com as nossas emoções. Não conseguimos ter qualquer conexão emocional com as pessoas, com as situações ou com as coisas.
Processadora das nossas emoções e das nossas experiências, a amígdala cerebral faz, também, a mediação das respostas emocionais que devemos colocar em ação em determinada circunstância. Essencialmente, a amígdala identifica a ameaça, acumula uma data de reações no seu repertório e tenta selecionar, desse repertório, a reação que melhor se adapta à circunstância.
Há, ainda, a mediação do hipocampo que é, basicamente, a memória emocional. É ele que nos permite discernir o contexto. Pegando no exemplo mencionado acima: a amígdala identifica o urso como sendo uma ameaça, mas a ameaça é muito maior se o virmos no jardim de nossa casa do que se o virmos no jardim zoológico, certo? É exatamente este contexto que o hipocampo vai procurar.
O hipocampo regista as experiências benéficas e as prejudiciais, e também armazena as respostas que a amígdala vai, então, tentar selecionar como sendo mais adequadas.
Em suma, a amígdala atribui valor emocional às experiências e ativa respostas automáticas. Já o hipocampo funciona como uma memória emocional, contextualizando os acontecimentos e ajudando-nos a distinguir entre uma ameaça real e uma situação segura.
É por isso que muitas das nossas reações emocionais são tão intensas e rápidas: são automáticas e baseadas em experiências anteriores.
Neocórtex: O Cérebro Racional
O neocórtex é a camada mais recente do cérebro e a responsável pelas funções cognitivas superiores, como a lógica, o pensamento crítico, a linguagem e o planeamento. A parte frontal do neocórtex, é essencial para a auto regulação emocional, a tomada de decisões conscientes e a capacidade de refletir antes de agir.
No entanto, apesar do seu poder, o neocórtex evoluiu depois do sistema límbico. A nossa arquitetura neuronal foi feita de forma a que as nossas emoções tenham um papel nuclear, central, naquilo que é o nosso processo de pensamento. Por isso, quando há conflito entre emoção e razão, a emoção tende a vencer, porque o cérebro emocional é mais rápido e mais antigo na hierarquia neurológica.
A importância da Inteligência Emocional
De forma a melhor conseguirmos lidar com esta dinâmica entre mente emocional e mente racional, surge o conceito de inteligência emocional – a capacidade de reconhecer, compreender e gerir as próprias emoções e as dos outros.
Ser emocionalmente inteligente implica conseguir “falar com a amígdala cerebral” e enviar sinais de que a nossa sobrevivência não está realmente a ser ameaçada. Como? Começando por algumas técnicas que ajudam a ativar o neocórtex e a reduzir a reatividade emocional, tais como:
- Respiração consciente.
- Reestruturação cognitiva (reframing).
- Meditação e mindfulness.
- Exposição gradual a situações desafiantes.
Estas são algumas formas de dizer à nossa amígdala que “está tudo bem”, e que a nossa sobrevivência não está em risco em momentos de maior exposição ou tensão, como quando ficamos nervosos ao falar em público.
A mente emocional é poderosa porque é ancestral e fundamental para a nossa sobrevivência. No entanto, vivemos numa sociedade onde os perigos já não são, na maioria das vezes, físicos, mas sim sociais e emocionais. Dominar a relação entre emoção e razão é, por isso, um passo essencial para o autoconhecimento e para uma vida mais equilibrada.
Compreender o funcionamento do cérebro – tronco cerebral, sistema límbico e neocórtex – permite-nos desenvolver mais autoconsciência e inteligência emocional. Afinal, não somos apenas seres racionais que sentem, somos seres emocionais que pensam.
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